O espanto do primata com o seu parente anfíbio

20 06 2009
O peixe é parente do Fernando Caruso, que é primo do primata Társio

O peixe é parente do humorísta Fernando Caruso, que é primo do primata Társio

Dando continuidade à abordagem darwinista informando as curiosidades do corpo humano e sua evolução durante milênios de história natural. Atualmente, devido aos avanços da ciência, apesar das controvérsias morais, é possível imaginar que certas estruturas, no interior do organismo humano, possam esconder obscuras heranças, resultados de processos adaptativos mais longínquos no passado do que, aquele situado pelo Australopithecus Afarensis, há 3,5 milhões de anos, ou do ágil homo ergaster, há 1,8 milhões.

Assim como a hérnia, citadas no artigo Que tal se parecer com um peixe?, o soluço revela duas origens da história humana: uma compartilhada com os peixes e a outra com os anfíbios. Vamos ao fato da primeira. Nós humanos herdamos dos peixes os principais nervos usados na respiração, não que seja exatamente semelhante, mas sua constituição e estrutura remetem a esse passado, pois o conjunto desses nervos, conhecido de nervos frênicos, começa no plexo cervical, localizado nas laterais internas do pescoço ligado aos nervos da espinha cervical ao crânio, estende-se ao tórax, ladeando o coração à esquerda e à direita, até chegar ao diafragma, onde fornece o processo de contração, chamado inervação; tem característica de controlar a respiração.

Tal percurso, uma vez que algo possa interromper o trajeto dos nervos frênicos, a respiração sofre interferência, ou seja, uma simplória irritação imite sinais para o cérebro, o qual, logo, provoca um espasmo de músculos na garganta e no peito, fazendo a epiglote fechar a traquéia, causando os soluços. O projétil do corpo humano herdou as estruturas perdidas ao longo da evolução, nesse aspecto, dos ancestrais aquáticos, se não fosse o caso, seria perfeito se o início dos nervos frênicos fosse em local mais próximo do diafragma e não do pescoço, evitaria o desagradável soluço tanto passageiro quanto de doenças que possam durar meses ou anos. Essa mesma estrutura de funcionamento se encontra nos peixes e outros animais aquáticos, as brânquias, por exemplo, estão mais próximas do pescoço e não do diafragma. Pode-se dizer que esse trajeto percorrido pelos nervos é oriundo de origem aquática.

A segunda origem remete o soluço em si, segundo o cientista Neil H. Shubin, remota a um passado comum com os anfíbios. Shubin afirma que o padrão característico dos músculos e nervos na produção do soluço ocorre naturalmente em outros seres, mas especificamente nos girinos, pois usam os pulmões e as brânquias para a respiração. Isso acontece porque precisam bombear a água para boca e garganta, e, com isso, passa a respirar pelas brânquias, porém, no momento que inspiram, imediatamente, a glote se fecha, impedindo que a água penetre nas vias respiratórias do pulmão, que por sua vez é usado na respiração terrestre. Significa dizer, os anfíbios respiram com as brânquias e tal funcionamento desse sistema se completa quando usam uma forma estendida de soluço, responsável à sobrevivência no habitat aquático.

A comparação da estrutura revela esse passado que se mostra tão presente, especialmente quando se sofre as dores e incômodos que o organismo humano causa, surpreendendo sempre a cada “falha”, muitas vezes não faz sentido algum, mas essas heranças apregoam peças que muito bem poderiam ser concertadas por alguma entidade: ao pensar que homo sapiens, ou melhor, o homem, é o projeto especial, separado e isolado de toda constituição de vida na terra? A evolução do projétil humano é tão complexa quanto do peixe, do girino, da cobra, do jacaré, da onça, dos primatas társio, lêmure, etc. Por exemplo, os ossos revestidos de cartilagem nos joelhos, na coluna vertebral e nos pulsos, também apareceram em criaturas aquáticas há milhões e milhões de anos atrás.

Os animais são tanto como os humanos. Por isso, a história natural desse processo evolucionário demonstra cada vez mais o homo sapiens resultado dessa variável e seletiva adaptação, ao longo de centenas de milhares de anos, e só foi possível graças ao rearranjo constante da mutabilidade das espécies. Darwin não matou “Deus” apenas, enquanto conhecimento metafísico da explicação universal da humanidade, matou também o “Homem” como medidas de todas as coisas, da natureza e do comando da própria história.

Ainda mais, o célebre naturalista nos ensina: o homem, ser humano, homo sapiens, constitui parte integrante da natureza com igual valor e importância, mas de uma forma de outra nos parecemos mais com as outras espécies do que imaginávamos, reconhecendo, a partir desta nova tomada de consciência, o todo do qual fazemos parte.





Que tal se parecer com um peixe?

20 03 2009

 

O ser evoluído do peixe, é possível!

O ser evoluído do peixe, é possível!

O meu espanto com a crescente ascensão deste bloguinho, principalmente, devido ao texto sobre 200 anos de Darwin, publicado no dia 8 de fevereiro aqui, tem ganhado atenção e visibilidade de muitos internautas.

Por isso, publicarei umas curiosidades que andei lendo, um post de cada, sempre, abordando a perspectiva evolucionária, sob o aspecto da ciência biológica, quanto características herdadas do processo de evolução perpassadas por nossos ancestrais, mas do que nunca, agora, no homo sapiens, isto é, carregada em nós ser humanos, qual se poderia chamar de falhas de projeto, a exemplos de heranças particulares vindas dos peixes e girinos, que consequentemente, importante de se atentar, trouxeram-nos hérnias, soluços e outros males.

O corpo humano no seu interior revela estruturas esquecidas durante o processo evolucionário, isso permite refletir o corpo como um projétil que transporta uma carga histórica e suas reformas adaptativas ao longo de milênios. Para se compreender esta história, de fato não pode ser isolada, mas compartilhada com todos os seres, de microorganismos e vermes a peixes e primatas.

Segundo essa perspectiva, cientistas afirmam que o cordão espermático esconde uma herança insuportável, especialmente em alguns homens, pois a estrutura que conecta os testículos, no saco escrotal, à uretra, no pênis, tem tamanha complexidade, já que esta conexão forma o trajeto do esperma para fora do corpo. Este caminho não é tão simples assim; seria interessante pensar se o caminho fosse mais curto, se as duas estruturas (saco escrotal e pênis que ficam lado a lado) se interligassem diretamente. Porém, não é tão simples assim, esta estrutura complexa é responsável pelo aparecimento da hérnia no sexo masculino; quer dizer o seguinte, que as gônadas humanas (os ovários nas fêmeas e os testículos nos machos) iniciam o seu desenvolvimento da mesma forma que as dos tubarões, peixes e outros animais vertebrados. Isto significa pensar que as gônadas se formam na cavidade abdominal, próximo ao fígado, configuração ancestral extremamente interessante porque em peixes e tubarões estas gônadas permanecem perto do fígado.

Apesar da semelhança, os mamíferos têm um desenvolvimento diferente dos ancestrais descritos, quando se percebe a formação do feto masculino, as gônadas descem, chegando até o saco escrotal; e nas fêmeas, os ovários saem da cavidade abdominal e se alojam perto do útero e das trompas de Falópio.

¿O que isso tem a ver com o aparecimento de hérnias nos homens? Simples. A descida das gônadas até o saco escrotal é de suma importância, além de ser a partir deste momento essa característica responsável por produzir esperma, essa descida dos testículos ao saco escrotal, segundo o cientista Neil H. Shubin*, é responsável por percorrer um longo percurso descendente, forçando o cordão espermático a uma virada em forma de laço.

Esse laço provoca, nos homens, uma fraqueza na parede abdominal, praticamente na parte da virilha, causando uma protrusão, ou seja, quando uma alça do intestino descola por esse ponto fraco. Neil H. Shubin afirma que alguns tipos de hérnias são congênitas, acontecendo que nessa descida das gônadas, ainda no feto, alguns pedaços de intestinos se descolam, desencadeado todo esse processo. Outras hérnias se desenvolvem ao longo da vida, devido a esse ponto fraco. Tudo isso reflete toda a história humana o quanto o passado aquático está confluído com o presente mamífero.

Para os mais radicais que não aceitam ter um ancestral comum, que tal ter um ancestral peixe? Bem que por aí tal semelhança não deixa qualquer dúvida. Ainda mais, quando se pode sentir tal descendência intrinsecamente, como diz o poeta Raimundo Fagner: “Quem dera ser um peixe. Para em teu límpido aquário mergulhar. Fazer borbulhas de amor pra te encantar. Passar a noite em claro, dentro de ti…”

*O autor citado: Neil H. Shubin é diretor de assuntos acadêmicos do Field Museum. Também é paleontólogo e professor associado de biologia evolucioária da University of Chicago.





Vitória da democracia

20 03 2009
vitória para o avanço dos direitos indígenas no Brasil

Conquista indígena

Gostaria de compartilhar a imensa alegria pela vitória concedida oficialmente pelo STF – Superior Tribunal Federal – aos índios brasileiros quanto a demarcação contínua do território da Raposa/Serra do Sol (RR), por dez votos a um. Esse julgamento favorável aos índios desta região reorientará, sem sombra de dúvidas, todos os outros processos em questionamento sobre demais demarcações indígenas no país.

Penso que esta vitória não seja apenas uma vitória isolada, mas a vitória da democracia brasileira – que anda tão desacreditada -, pois significa um enorme avanço de reconhecimento de direitos, especialmente de uma minoria brasileira, os índios, que lutam e relutam por se fazerem existir perante a sociedade nacional quanto a necessidade do direito originário da terra; é nela que se carrega substancialmente o sentimento de pertença, de identidade, a qual a identificação ao local remete a ancestralidade, tornando o ser sujeito destas terras pertencido, agregado material e simbolicamente ao lar.

Tal lar, historicamente, tão degradado, ameaçado, imagine o processo de destruição de 500 anos a estes homens, que de antemão, antecessor à colonização, gozavam da vida, das crenças e da família; em poucos séculos foram dizimados em nome da racionalidade e fé do velho mundo, que ainda hoje permanece na mentalidade a obscuridade deste pensamento na sociedade brasileira.

Leia a íntegra do relatório e voto do relator, Ministro Carlos Ayres Britto -exceto Questão de Ordem 

(105 páginas, sem revisão) 

Obs: Relatório e voto que demonstrou a essencialidade dos direitos indígenas; documento político de suma importância, cartilha que orientou e influenciou os demais votos no STF.

Leia mais sobre o julgamento





Cibercultura e a vida on-line

15 03 2009

internet-1O processo de modernização dos meios tecnológicos da informação e da comunicação relacionados com sociedade do conhecimento mudou e muito a vida das pessoas e a forma de interatividade entre elas. Quem no passado imaginou viver sem jornal, sem rádio ou sem televisão? Atualmente, o meio midiático da internet cumpre esta nova função de informação de forma imediata, seletiva, reprodutiva e criativa, a exemplo da poderosa ferramenta dos blogs (sites de fácil criação de contéudos e uso popular).

A internet vem revolucionando as formas de interação e comunicação social em escala global. É notável, há mais de 10 anos, os blogs terem dominado a rede e vêm se apresentando como um novo paradigma na forma de escrever, de pensar, de expressar idéias e de interagir socialmente, como parte da complexa relação tecida entre os atores sociais.

Desde a invenção da imprensa dos idos de Gutenberg, os Blogs representam revolucionariamente um modelo tendencioso no campo da comunicação, uma vez que, não é necessário mais ser o privilegiado especialista das letras, ciências e mídia como formadores de opinião. Basta, agora, acessar a rede de computadores, escolher o provedor e criar o seu diário virtual, alimentando cotidianamente o conteúdo da sua página.

Devido a essa facilidade de atualização de conteúdos na internet, anônimos – sujeitos sem rostos – acessam a rede de computadores sem conhecimento técnico de HTML (sigla inglesa, de significado Linguagem de Marcação de Hipertexto) para publicarem a todo o momento qualquer assunto de seu interesse, sem levar em conta a preocupação de escrever bem ou não, pois o mais importante é manifestar o pensamento tornando-se público, valendo-se da crítica ou não, num espaço virtual de discussão e diálogo.

No entanto, configura-se na sociedade em Rede um dinamismo social de relações intersubjetivas tanto entre blogueiros e comentaristas quanto nos sites de relacionamentos, os quais abordam diversos assuntos, que vão desde política, sexo, arte e tecnologia, até a exposição da vida privada de cidadãos comuns, por meio de publicação de fotos, rotineiramente,  em comunidades virtuais com este propósito, confidenciando suas intimidades ao atento público virtual.

Percebe-se que o fenômeno dos blogs proporciona, neste espaço midiático de rede, novos modelos de relações sociais e efeitos que se desdobram numa velocidade inimaginável, sem controle algum, tendo conseqüências de âmbito jurídico, por causa de divulgações ilícitas na rede: racismo, pedofilia, neonazismo, invasão de privacidade, falseamento ideológico que comprometem inocentes etc. Tudo isso revela a preocupação e a seriedade que a sociedade deve encarar essa nova realidade, principalmente quando a internet é a extensão da vida social e cultural; nesse sentido, exige-se das instituições jurídicas e políticas aparatos legais para regrar tais comportamentos dúbios e de periculosidade evidenciada na rede.

Para além desses problemas, é inegável, que os blogs são, sem dúvida alguma, um instrumento fantástico de manifestação social, onde pessoas quaisquer que sejam podem criar seu diário pessoal ou coletivo. Através desse novo meio de comunicar, nota-se que os diários eletrônicos e outras formas de interação em rede, possibilitada pela globalização tecnológica, vêm transformando e construindo rede de relações e significados, chamados de cibercultura.

As ferramentas da internet e o acesso a ela tornam-se cada vez mais um espaço de construção plural-democrático e sem censura para expor pensamentos. Por um lado, é positivo falar sobre idéias, política, literatura, notícias, mas por outro, é muito grave e assustador os crimes e apologias que depredam e desrespeitam a imagem humana (essas ilicitudes que degradam a dignidade humana têm de se denunciar aos orgãos responsáveis). Portanto, são os riscos e desafios que deveremos nos atentar tanto nas possibilidades de democratizar o acesso à rede com responsabilidade de educar, quanto ao mesmo tempo vigiar o acesso contra práticas duvidosas, depreciativas e ilegais, o que já ocorre por todo o mundo.

A vida on-line nem sempre será o que sonhamos, mas manterá sua diversidade na rede mundial de computadores. Hoje é difícil pensar a vida relacional sem recorrer a estes instrumentos que revolucionam o mundo na sua totalidade, inaugurando novas práticas culturais, políticas e socioeconômicas.





Dia internacional da Mulher

8 03 2009
Passeata do Dia Internacional da Mulher pede a legalização do aborto em São Paulo

Passeata do Dia Internacional da Mulher pede a legalização do aborto em São Paulo

Dias depois da polêmica nacional acerca do aborto feita em menina de 9 anos, no estado de Pernambuco, onde o arcebispo condenou a decisão da mãe e da ação dos médicos na realização de abortar por considerarem risco de morte a criança, dando a entender que a igreja defende a própria violência acometida a uma menina, quando se afirmou da boca do arcebispo: “o aborto é um crime mais grave do que o estupro”, tal afirmação indignou uma considerável parcela da população e levantou o debate sobre o tema do aborto e violência contra a mulher, considerando que ainda tem de se lutar muito por garantir direitos femininos, mesmo que esteja em vigor a lei 11.340, Maria da Penha, muitas mulheres e meninas ainda são vítimas de agressões, forçadas a ter relações sexuais ou abusadas.

Esse é o dia marcado por uma violência brutal, que ganhou outro significado, o da resistência e da luta por direitos femininos. Em 8 de março de 1875, na cidade de Nova York , 130 mulheres estavam em greve pela redução da jornada de trabalho, de 16 para 10 horas, foram cercadas pela polícia e fechadas dentro da fábrica e logo queimadas.

A história das conquistas femininas e daquelas que morreram por lutarem por melhores condições de trabalho e muitos outros direitos, ainda não há o que comemorar este dia para ser uma festa de fato, pois há um longo caminho a percorrer para que todas as mulheres, não somente no Brasil, mas no mundo, venham ter todos os seus direitos assegurados e longe da tortura e humilhação que ainda sofrem.

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Jason, o carniceiro moralista

25 02 2009
Jason

Jason

O filme clássico do terror “Sexta-feira 13” (1980), que tem como cena final a decapitação da protetora e mãe de um dos mais famosos e consagrados assassinos do cinema, Jason Voorhees. Diferente do anterior, o novo filme, a nova versão em cartaz, “Sexta-feira 13” (2009), traz de volta o matador de mocinhos e mocinhas inocentes, a qual a cena inicial começa esboçando a origem da maldade de Jason, com a cena da sua morte por afogamento no lago Cristal Lake e da sua mãe sendo decapitada, pois ela é única que o compreende e o ama, até porque o seu rosto caricatural e desconfigurado é a razão da rejeição social que sofre, negligenciado pelos monitores do acampamento por causa da sua deforma e os mesmos terem o deixado agonizar e morrer  no lago, mas volta à vida de maneira desconhecida e sobrevive ; ainda mais, a morte da presença materna, pelo único monitor sobrevivente da desforra da mãe, é o motivo principal de fúria e vingança, que o torna poderoso e ao mesmo tempo sobrenatural, a prova tanta é o seu estilo calculista e preciso de matar o torna sucesso de reconhecimento de público.

A nova versão segue a mesma linha dos filmes precedentes, a diferença está que o longa-metragem conta o surgimento do sanguinário Jason. Toda essa matança, que permeia os demais filmes de uma das séries de terror mais populares do cinema, tem ligação direta com a mãe; por quê?; a mãe é o ser que dar luz a um outro ser (mesmo que ele seja um monstro), que cria e ensina, ser de proteção, de cuidado, de carinho; na ausência de pai, a mãe é o próprio pai. Jason é um ser disforme, a exemplo de corcunda de Notre-Dame, Quasímodo, ambos sofrem a rejeição social, ambos são amparados, ambos são aceitos, o assassino pela mãe, o dócil corcunda pela igreja.

Ao contrário da doçura do monstro da catedral de Notre-Dame, a crueldade de Jason tem como motivação de reparar a perda trágica da mãe, decapitada; a ausência do desejo materno, enquanto representação mãe-filho, cultivou-o em ser um indivíduo desamparado e desolado, sofrendo uma inflexão sobre os valores moralistas apreendidos e ensinados pela mãe, tingido por uma vingança pulsiva contra aqueles que corrompem Cristal Lake, pois o lugar remete a morada, ao arquétipo materno, a infância perdida pela rejeição e repreendida pela hegemonia social de padrão estético; este é o lugar da memória da mãe, assim como é o lugar de paz e refúgio contra os males civilizatórios.

O lugar é pacato, tranquilo, como uma aparecida moradora do filme descrevera com ar de devassidão os púberes que ali frequentam, porém, muito atrativo a jovens pervertidos que procuram aventura e muita curtição. São tipos de vítimas preferidas de Jason, personagens que estão se embebedando, se drogando, fazendo sexo, tornando Cristal Lake uma Babilônia, pura orgia, destroçando toda tranquilidade do ambiente. Ao mesmo tempo, isso significa o eterno retorno da juventude ao lugar; neste filme, o encanto juvenil é ir em busca da plantação de maconha no local, detalhe chamativo aos filhos da burguesia, que mal sabem estão caindo num matadouro, numa armadilha planejada.

Jason pretende, pelo menos é a ideia que o filme passa, chacinar os elementos liberais da sociedade urbana, ícone da racionalização e civilização, em detrimento da preservação da memória do cuidado da sua mãe como única que se importara com a sua infância e reconhecimento individual quanto ao local, que é o espaço de representatividade simbólica e tem sentido ao matador.

Tais aspectos demonstram um serial killer que tem como suas vitimas características comuns, advindas do seio civilizatório ao campo; aos olhos dele valores decadentes merecidos de morte. Jason parece ser o agente representativo dos valores tradicionais e de resistência aos valores racionais e conservadores, o ser moralista contra qualquer forma de representação moderna ocidental capitalista inserida nos contextos de grupos, principalmente de acampamento como mostra o filme.

P.S: o filme em si não empolga, não acrescenta nada de novo, dá uns sustos, e muitas gargalhadas, sim; tenta reinventar o clássico, porém, tal tentativa é frustrante; o do passado é aterrorizante e este não tem o mesmo encanto e terror do de 1980. Nesse sentido, a nova versão consegue ser um filme de segunda, igualmente percebe-se que o real motivo para o retorno do Jason, é reviver de forma nostálgica os anos 80. A nota é 6.0.