Darwin e o Ciclo da Vida

criacionismo

Por João Fábio Braga

Karl Marx cogitou dedicar sua obra “O Capital” a Charles Darwin (1809 – 1882), simplesmente por causa da influência e inspiração que a teoria da seleção natural despertara, de forma comparativa, sobre a teoria de classe e a exploração do homem pelo homem; porém o naturalista-biólogo recusou tal homenagem.

Na mesma direção, Engels, companheiro de Marx, esboçara o artigo intitulado “Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem”, no qual demonstra a forte extensão do evolucionismo biológico para explicar a adaptação dos nossos ancestrais ao habitat, devido circunstâncias particulares e extraordinárias, cujo trabalho, segundo o autor, é o elemento decisivo de transformação cognitiva, perceptiva e substantiva na evolução da espécie humana.

Apesar das referências e citações em torno do conteúdo científico publicado por Charles Darwin em 1859, a obra Origem das Espécies, desde sua época, ainda causa alvoroço e polémica, especialmente entre os fundamentalistas religiosos..

Isto porque nenhuma teoria acarretou tanta hostilidade por parte da opinião pública da sua época tanto como atualmente. Os tremores ainda permanecem: de um lado, àqueles que defendem a origem dos seres vivos, exclusivamente o ser humano, às causas divinas e as mesmas designaram conjuntamente a criação, conhecidos como os criacionistas (essa corrente religiosa defende que os homens conviveram juntamente com os dinossauros e o dilúvio bíblico os destruiram); por outro lado, do ponto de vista da ciência, os evolucionistas provam de que a origem das espécies vivas tem uma particularidade(s) comum(s), isto é, de um ancestral comum.

Diferente da abordagem religiosa, o processo de seleção natural ativa o princípio de criacionismo2sobrevivência através da adaptação e especialização dos seres vivos, especificamente nas características favoráveis que são hereditárias, tornando-as comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem; tais características hereditárias desfavoráveis se tornam menos comuns.

Nesse sentido, as características comuns resultam de adaptações em nichos ecológicos particulares, ou seja, o modo de vida no habitat condiciona o ecossistema que, à prova disso, segundo a teoria, decorre da emergência de novas espécies ou evolução destas.

Esta denotação científica da evolução das espécies, que teve repercussão diretamente sobre a origem humana, retirou o homem do centro do universo e o desmistificou da imagem da criação divina, deslocando a própria espécie humana num patamar comum ou igual à milhões e milhões de outras espécies.

Por causa disto, essas ideias provocaram, além da contestação, uma revolução no campo da medicina e biotecnologia, sobretudo a genética que, por sua vez, acrescentou uma nova abordagem a teoria da seleção natural; confirma a veracidade e comprovação da teoria: o grande exemplo tomado é da adaptação e da resistência dos mutantes organismos invisíveis como vírus e bactérias.

De modo etnocêntrico, a evolução das espécies, sua forte influência, prevaleceu (ainda hoje presente) no imaginário social da sociedade moderna que sempre se comparou superior às outras sociedades. Seu peso não deixou de se notar nas correntes pseudocientíficas do “darwnismo social” que vieram justificar ideias de evolução e sobrevivência do mais forte sobre sociedades e nações; até mesmo ideias associadas ao racismo, ao neoconialismo e ao imperialismo calharam como um axioma infundável ao empirismo biológico de Darwin.

Portanto, a discussão sobre a origem da vida e como a natureza atua com regularidade nas espécies é complexa e ao mesmo tempo fascinante. Sem dúvida alguma, Darwin demonstrou um conhecimento que trouxe a compreensão da harmonia de como verdadeiramente funciona a vida, uma corrida diária pela sobrevivência, sendo cotidianamente brutal e a morte como fundamental para renovação constante da biodiversidade do planeta.

Darwin estava certo!

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