O Refúgio dos Magos

jinn

 

Por João Fábio Braga

“Todos os homens estão dormindo. Eles só despertam quando morrem.” Maomé

Certas histórias do mundo incluem partes descartadas pelos historiadores convencionais, sobretudo àquelas que navegaram no imaginário coletivo: a magia é uma delas.

“Acreditar em magia” pode ser entendido de dois modos; ou acredita, numa visão materialista, que a “magia” não passa do que um subproduto da matéria; ou acredita que ela realmente funciona.

Alguns registros apócrifos e textos divulgados na informalidade descrevem que, além dos vivos, Jesus Cristo desceu ao inferno para levar a Luz aos mortos encarcerados, pois os mesmos eram vistos, a partir daquele momento, igualmente, pertencentes à mesma comunidade.

Porém, o outro lado dessa história, transmitida por textos secretos e oralmente, a descida do Cristo ao inferno aumentou a atividade demoníaca e a aparição de mortos, ou seja, o limite entre os mundos físicos e espiritual tornou-se muito tênue, junto à proliferação de religiões, filosofias e seitas.  Ao mesmo tempo, fecharam-se os grandes centros de mistério como Luxor, Karnak, Delfos, Corinto e Elêusis, onde a permissão de acessar os mundos espirituais era operada sob condições controladas. Fora dos limites estritamente vigiados das escolas de mistérios, a sabedoria dos sacerdotes escoou para o mundo externo, generalizando uma cultura de experimentação do ocultismo. Toda essa experimentação será importante para o desenvolvimento futuro da ciência moderna.

Diante desse cenário, após o desmoronamento das civilizações do mundo antigo e o encerramento dos templos de mistérios ligados aos grandes templos públicos, os sacerdotes, os magi, foram banidos para o mundo subterrâneo, outros se viram obrigados a fugir para o Sul da Arábia e outras regiões próximas. Talvez essa seja um das razões para que tal região tenha se agigantado na imaginação humana como uma terra de encantamento.

Apesar de o mago percorrer o fio da espada, a faculdade do livre-arbítrio sempre fora a condição de desejo de escolher entre caminhar na retidão ou nas sombras. Já que as pessoas, nessa faixa de mundo, passaram a exercer tal faculdade, começaram impor os seus desejos aos seres espirituais; e o resultado dessa imposição criou o imaginário de As mil e uma noites, Simbad, tapetes voadores e outros.

Absurdo ou não, há histórias contadas nessas regiões de que pessoas recorriam às cobras de máscaras humanas em busca de curas milagrosas e adivinhação, bem como há relatos de garrafas de latão seladas com rolhas de chumbo que uma vez retirada uma das rolhas, emergia uma fumaça azulada que se transformava rapidamente numa forma humana. Dizem, nessas regiões, que nessas garrafas o Sábio Rei Salomão aprisionara os Jinn, ou gênios. Assim como também dizem que Salomão os usou para construir o Templo de Deus. Com a mesma intenção de colocá-los a serviço, mas de modo egoísta e traiçoeiro, certos magisters os utilizaram para benefício próprio.

Enquanto as operações mágicas aumentavam no imaginário popular, o charlatanismo, de fato, era uma força real. A figura mais importante e representativa é Simão, o mago, e o mesmo foi hostilizado e desmascarado pelo apóstolo Pedro a quem denunciou querer realizar milagres para obtenção financeira.

Simão dizia ser mago e chegou a percorrer muitos lugares, acompanhado de uma bela mulher chamada Helena, a quem dizia ser a reencarnação de Helena de Tróia, e parte do seu poder de mago se atribuía à magia sexual que ele praticava com ela. O seu poder mágico incluía saber voar, tornar-se invisível, curar doentes, ressuscitar os mortos e fazer estátuas ganharem vida e falar. Dizia-se que ele comandava legiões de demônios.

Passado alguns anos, quando seus poderes e sua fama pareciam desaparecer, permitiu-se ser enterrado vivo por três dias, com a promessa de que ressuscitaria dos mortos. As pessoas se reuniram para testemunhar o fato, porém ouviram apenas os gritos do mago que ecoavam do inferno. Sobre o túmulo de Simão, o papa Paulo I construiu uma igreja.

A ascensão e disseminação do cristianismo foram a grande responsável de banir as noções e ideias de transmissão de segredos e de magias da antiguidade, fortalecendo a fé e prática dos milagres. A sobrevivência desta tradição encontrou refúgio no mundo árabe, mesmo exercendo um lado de desejos negativos, conseguiu preservar um misticismo que ao mesmo tempo ajudou a criar uma identidade mística que influenciaria tanto um catolicismo místico ortodoxo quanto o nascente islã e, mais tarde, com a ocupação moura, não demoraria a retornar à Europa.

Se tiver curiosidade, leia sobre a ordem dos assassinos no mundo árabe

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