Para o meu filho

Publicado em 22/08/2015      https://fabiobraga.wordpress.com/2015/08/22/a-essencia-das-coisas/ 

Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos Céus. Jesus Cristo (Mt, 19: 14).

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Pequeno Príncipe. Antoine de Saint-Exupéry

pequeno principe

Por João Fábio Braga

Todos os dias os filhos pequenos surpreende nós pais. A surpresa se torna uma qualidade para os adultos quando percebe o nível de inteligência e sensibilidade das crianças. Nada se deixa passar por percebido, elas desafiam cada vez a nossa lógica.

Mas que lógica? O mundo atual é um mundo competitivo e selvagem; a racionalidade nos impõe um ritmo de trabalho e rotina do cotidiano que acabam enclausurando muitos adultos, sobretudo os pais. O modo de vida moderno pode cegar. O sintoma existe e muitos nem percebem as Virtudes dos pequenos e não sabem ou desconhecem o quanto se aprende com eles.

Na literatura infantil O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry nos ensina que os adultos jamais devem esquecer que um dia foram crianças. Essa seria a principal atitude que os pais e adultos devem preservar na lembrança contra a tirania da regularidade e arbitrariedade da racionalidade moderna.

As crianças são como filósofos. A primeira atitude do filósofo é se surpreender com a realidade em torno de si, a segunda são os questionamentos sobre a ordem das coisas. Essas são qualidades inerentes às crianças, elas não se limitam à consciência ordinária da vida moderna; são absolutamente seres extraordinários e nos induzem a uma realidade extraordinária.

Por isso as dúvidas são constantes, muitos “por quês” são ditos igual a um “bombardeio aéreo”. Porém as perguntas das crianças fazem dos pais e adultos a moverem o espírito engessado pelo materialismo das coisas às surpresas que estavam letárgicas no espirito humano. Sobre a essência das coisas, a raposa ensina um segredo muito simples ao pequeno príncipe: “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. A raposa nos lembra que muitos homens e mulheres esqueceram esta Verdade e não se importam de lembrar ou aprender.

O segredo da vida está guardado nesta relação: a sintonia de amor entre pais e filhos produz uma dialética de ensino-aprendizagem que ajudam nossos filhos a se desenvolverem com qualidade de vida e segurança, preparando-os físico, moral e intelectualmente para os desafios da vida futura.

Sendo assim apresento uma poesia Haicai, mas ao modo ocidental. Apesar de desconexa, perante a uma lógica poética clássica, poesia está carregada de sentimento sobre a realidade que se apresenta exuberante; construída pela experiência da descoberta; da verbalização dos sentidos e da existência. O autor da poesia é de uma criança de cinco anos, o meu filho!

“A comida desapareceu na minha boca”.
“Não quero o pôr do sol nos meus olhos”.
“O meu coração está quebrado de saudade”.
João Vinícius e seus 5 anos de idade.

Enfim, não tenho mais nada a declarar, só lagrimas…!

 

P.S: De origem japonesa, o haicai, de maneira geral, é um poema conciso, formado de três versos, no total de 17 sílabas: o primeiro verso tem 5 sílabas; o segundo verso tem 7 sílabas; o terceiro verso tem 5 sílabas. Não há necessidade de rima ou título.